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sábado, 7 de setembro de 2013

Einstein Socialista

    Ok, nessa linda madrugada de reflexões sociais poderia citar tantos autores das ditas ciências humanas, mas passando por alguns textos avulsos me deparei com um artigo do Einstein que só tinha ouvido falar: Por que Socialismo? 


     Já gostava bastante da referida pessoa por conta dessa frase aqui:

"Quando eu era jovem o meu sonho era tornar-se geógrafo. Entretanto, antes de ingressar no curso superior, quando trabalhei num escritório, numa atividade que envolvia consumidores de diversas partes, comecei a pensar mais profundamente sobre essa questão e concluí que essa disciplina deve ser extremamente complexa e difícil. Após alguma relutância, acabei optando pelo estudo da Física." 

      No entanto após ler o artigo de Maio de 1949 que ele escreveu para a revista Monthly Review estou mais disposta a ler coisas do cara considerado um dos maiores gênios da história. 
     O texto já começa com uma provocação "É aconselhável que alguém que não é um especialista em assuntos econômicos e sociais expresse suas opiniões acerca do tema do socialismo? Creio, por uma quantidade de razões, que sim." Ou seja, sou leigo no assunto, mas não sou idiota e posso dar minha opinião com base no que estudei e analisei (que imagino não seja pouca coisa).
Ao longo do texto é exposto como tudo é construído socialmente (apesar de existir o biológico), até mesmo a ciência é fruto da sua sociedade e serve ao interesse da mesma, daí sua crítica ao sistema educacional que produz uma "atitude exageradamente competitiva no estudante que é treinado para adorar o êxito da aquisição como uma preparação para sua futura carreira." 
Na minha interpretação pareceu que ele coloca assim: ou a sociedade muda (de uma forma que ainda não sabemos exatamente como), mas que tudo indica é pelas vias do socialismo ou será o fim da humanidade. Einstein coloca assim:

"Estou convencido de que há somente uma forma de eliminar estes graves malefícios: através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educacional que seja orientado para fins sociais. Em tal economia, os meios de produção são propriedade da própria sociedade e utilizados de maneira planejada. Uma economia planejada, que ajuste a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho entre todos aptos a trabalhar e garantiria os meios de vida de todos, homem, mulher e criança. A educação do indivíduo, além de promover suas próprias habilidades inatas, intentaria desenvolver em um sentido de responsabilidade por seu próximo, em lugar da glorificação do poder e do êxito em nossa sociedade atual."

Nos últimos parágrafos ele coloca a importância de se pensar sobre esse socialismo para que ele se realize efetivamente. 


"Sem embargo, é preciso recordar que uma economia planificada não é todavia o socialismo. Uma economia planificada como tal pode ser acompanhada pela completa escravização do indivíduo. A realização do socialismo requer a solução de alguns problemas sócio-políticos extremamente difíceis: “como é possível, considerando a muito abarcadora centralização do poder, conseguir que a burocracia não seja todo poderosa e arrogante? Como podem proteger os direitos do indivíduo e mediante ele assegurar um contrapeso democrático ao poder da burocracia?”

Ter claras as metas e problemas do socialismo é de grande importância nesta época de transição. Dado que, nas circunstâncias atuais, a discussão livre e sem travas destes problemas são um grande tabu  considero a fundação desta revista um importante serviço público.


 Enfim, o texto é incrível e deixa bem claro que o físico acreditava no fim desse sistema (mesmo que sem ter um manual de "como acabar com o capitalismo). Assim, esqueça tudo que você sabe sobre Einstein, porque pra começar ele queria ser geógrafo  e tendia ao socialismo. 

domingo, 18 de agosto de 2013

Recife Frio - Kleber Mendonça

Daqui há alguns anos...



   Recife Frio é um daqueles filmes mega geográficos que todo professor deveria ter no seu acervo, entendendo acervo como: filmes para utilizar em sala de aula. O filme de Kleber Mendonça mostra em formato de falso-documentário o curioso caso de quando Recife, uma cidade brasileira conhecida pelo seu calor constante, começa a sofrer com uma mudança de clima drástica sem causa aparente. Recife se torna um lugar frio. 
  O documentário faz parte do "programa" "El Mundo en movimento" que começa falando sobre um estranho meteorito** que caiu na região e que talvez tivesse sido a causa da queda brusca da temperatura. Apesar de não ter nada que comprove se o responsável pelo frio foi  mesmo o tal do meteorito semana depois pinguins começam a chegar às praias de Recife. 


  E o filme é incrível não só porque mostra como as mudanças climáticas modificam o cotidiano e a paisagem da cidade, mas também porque elucida elementos sociais de um outro lado de Recife e região. Depois dos sete meses sem sol o repórter faz diversas entrevistas com a população perguntando sobre "los cambios". Uma das sequência de cenas que mais me marcou são que retratam a família cujo filho escolheu trocar de quarto com a empregada porque esse é mais quente. Em outro tempo ninguém queria o quarto da empregada por justamente se localizar na parte mais quente do apartamento e ser demasiado pequeno. 
  Outra contradição demonstrada nesse filme, que poderia ser classificado como ficção cientifica, é a situação do morador de rua, que com tal friaca e nenhuma assistência morrem aos montes - algo que nos lembra bastante São Paulo no inverno. 
   Casos de um senhor que interpreta o papai noel todo ano e que fica feliz com a mudança, dos lojistas e a adaptação das mercadorias, da falência de hotéis e outras situações são representadas no filme que traz reflexões sobre mudanças climáticas, desigualdade social, politicas de higienização urbana e urbanismo crítico.



** Só para lembrar a diferença entre meteoro, meteorito e afins: 


segunda-feira, 15 de julho de 2013

CONTRA O FIM DE BOMB GIRLS!

(Cuidado, contém alguns spoilers)

Desde que entrei na Universidade perdi a paciência de assistir televisão e assim como tantos universitários baixo tudo que quero via internet ou pego com os colegas. Espero não ser presa por isso.
Em um dia cinzento comum buscava por uma série nova que me animasse e encontrei uma excelente, seu nome é Bomb Girls. Diferente de tudo que já vi, a série canadense tem como cenário uma fábrica de bombas da II Guerra Mundial para combater os nazistas.  Nessa fábrica somente mulheres trabalham na linha de montagem, muitas deixando suas casas para irem trabalhar. O que o seriado deixa a entender é que esse é o momento em que as mulheres entram massivamente no mercado de trabalho no Canadá, em várias cenas as trabalhadoras agradecem à guerra pela oportunidade de se tornarem independentes.
As protagonistas da série são Lorna Cobbet, Gladys Withan, Betty McRae e Kate Andrews, cada uma delas conta com personalidades incríveis e mereciam uma postagem individual. Lorna é matriarca da fábrica, responsável por manter tudo em ordem e mesmo assim recebe menos que os homens, com forte senso de justiça, e problemas em seu casamento (o marido perdeu a movimento das pernas após lutar na I Guerra Mundial). Gira em torno da personagem questões como o aborto, as diferenças étnicas, luta por melhores condições de trabalho, e também dá uma visão inversa sobre a “necessidade sexual dos homens” que é sempre uma argumentação quando o assunto é traição.

Lorna,Gladys, Betty e Kate - as protagonistas.

Gladys, por sua vez, é a única rica do grupo, no entanto apesar de não ter nenhuma necessidade financeira, escolhe escolhe trabalhar na fábrica mesmo assim. Fingindo trabalhar no escritório, ela esconde de seu pai que  na verdade exerce a função de montadora das bombas na linha de montagem. A personagem acredita que trabalhando construindo bombas pode ajudar no campo de batalha e “dar um tapa na cara do Hittler”. 
Com uma forte ideologia ela consegue convencer o seu noivo a ir para guerra e no cenário local da fábrica incita as mulheres a lutarem. A principal questão que se discute com a personagem é a liberdade sexual das mulheres, tanto em torno do mito da virgindade feminina quanto sobre a possibilidade de se ter vários parceiros, desmistificando a imagem da mulher de um único homem que deve noivar e casar.
Betty e Kate, por sua vez, têm suas histórias conectadas. As duas moram em um pensionato para mulheres, a segunda consegue fugir do pai que era religioso fervoroso e contra qualquer tipo de liberdade das mulheres. Por ter essa base religiosa tão forte, Kate tem problemas em aceitar os sentimentos que Betty tem por ela, que vão muito além da amizade e aparentemente é reciproco (apesar dela tentar fugir desse sentimento). As duas se distanciam amorosamente, inicialmente Betty começa a namorar um homem (na tentativa de fugir de sua lesbianidade), o Ivan, porém não gosta e termina. Depois Kate começa a namorar o mesmo homem, o Ivan, porém no mesmo período surge uma soldada chamada Teresa que inicia um relacionamento com Betty. Além das questões sobre sexualidade, Betty é marcada pela liderança, sempre à frente na luta das mulheres na fábrica.
Só com essas informações já deu para perceber que o seriado trabalha com diversas causas sociais em torno das mulheres e é simplesmente incrível! Porém, apesar de receber boa crítica e ter um público crescente de fãs o canal canadense, Global, anunciou em Abril desse ano que irá cancelar o seriado (mais informações acesse aqui). O que me faz pergunta, por quê?? Será que é medo das consequências que uma série feminista pode causar? Ainda mais sabendo que as mulheres ainda hoje recebem menos do que os homens e que são a massa da mão-de-obra barata no mundo?
Não vejo motivos para cancelar uma série que estava fazendo sucesso, tinha boa crítica e trabalhava questões tão abertas que outras produções televisivas ignoram. Por essas e outras que me declaro CONTRA O FIM DE BOMB GIRLS! O que não é só uma birra por uma série que me apaixonei, mas também pelo direito da visibilidade da mulher nos meios de comunicação como protagonista de nossa história.

A primeira e a segunda temporada podem ser baixadas aqui.
  

domingo, 14 de julho de 2013

Até logo, Paraguai.

Já têm umas duas semanas que estou de volta ao Brasil e já tem um tempo que queria escrever palavras de despedida do intercambio. Porém, é difícil definir os cinco meses que passei por lá. Experiências boas e ruins.

Uma parte de mim vai sentir falta da cultura daquele país, das pessoas, do tererê (apesar de ter comprado o meu) e até mesmo de comer empanada com pão.
Acho que a temática em torno do Paraguai vai entrar para o meu grupo de combate ao senso-comum. No Brasil temos a triste mania de chamar de paraguaio tudo que estiver relacionado à falsificação e a má qualidade, o que é muito triste de se fazer com o gentílico de um país. Assim, como não gostamos da associação de brasileiros com carnaval e bunda. Além disso, o Paraguai é muito maior do que Ciudad del Este (cidade fronteiriça com Foz do Iguaçu que é o polo comercial do país) e que só existe por conta dos brasileiros. Sim, somos nós o mercado consumidor massivo. Se não fosse pelos brasileiros os tais “produtos paraguaios” não teriam permanecido por tanto tempo. E gente, fala sério, os produtos nem se quer são feitos no Paraguai, são todos chineses, o que é curioso que a palavra “chinês” ainda não tenha a força do significado de falsificação que “paraguaio” tem.
Inclusive, é válido lembrar que o Brasil é um dos maiores problemas dos paraguaios, sendo o caso maior a questão da propriedade privada da terra. O latifúndio brasileiro é uma praga tão grande que ultrapassa as fronteiras. Graças à problemática questão da Reforma Agrária (que se faz urgente nos dois países), o Paraguai está sofrendo nos últimos anos a inversão campo-cidade, que se manifesta nitidamente pelas mudanças na paisagem principalmente na capital, Assunção, com o aumento das favelas e do trabalho informal – você pode fazer as compras do mês ao embarcar em um ônibus no centro.
Ao recordar do Paraguai que lembremos do país que conseguiu preservar sua cultura, que fala não só a língua do colonizador, mas também a nativa. Ao lembrar do Paraguai que nos venha a mente a palavra “guarani”, dos fortes índios, do aquífero, que recordemos do enorme conhecimento popular sobre ervas medicinais, do tererê, do mate, do cocido e da chipa. E se for para falar de algo econômico que pensemos na moeda nacional paraguaia que é uma das mais estáveis da América.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Paula Fernandes: por que Geografia?


Boa parte comunidade geográfica nacional assistiu recentemente a entrevista da Paula Fernandes no De Frente com Gabi, ou pelo menos o trecho que ela responde o porquê de fazer Geografia, e eu não fiquei de fora.




Assisti esse pequeno trecho através do Geografia Depressão e a minha primeira reação foi de pensar: “fdp desprezando a minha Geografia, e a Gabi também, bitch.” Desde então estou para comentar algo aqui no blog, porém sou muito sistemática e pensei que não seria justo assistir só uma pequena parte da entrevista e sair por aí falando o que penso. E ainda bem que fiz isso, porque mudei completamente de opinião.
A entrevista começa com a Gabi citando a Paula Fernandes "Sertaneja solo tem que valer por dois homens" e então parei para pensar, não é que é verdade? Se formos analisar os grandes nomes da música sertaneja vamos nos deparar com um monte de dupla de homens. Só de ela ter entrado nesse meio e bater de frente com um perfil estereotipado que dominava esse núcleo musical já é motivo para ganhar o respeito de qualquer pessoa. E mais, ela ainda é compositora e o nome dela é Paula Fernandes mesmo (não tem um nome artístico como metade dos cantores sertanejos tem). Além disso, respondeu tudo calmamente com sinceridade e estava absurdamente linda.
Tudo se encaminhava bem durante a entrevista até que ela comenta que conseguiu sair da depressão com o primeiro passo que foi começar a trabalhar e isso permitiu com que ela cursasse uma faculdade, a Gabi a interrompe perguntando o porquê de escolher Geografia, sorrindo ela diz que era o curso mais barato e porque ela sempre gostou muito de Geografia.

sábado, 27 de abril de 2013

A estupidez humana em: preconceitos no futebol.

"Só duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, mas não estou seguro sobre o primeiro" - Einstein

A capacidade humana de ser imbecil a cada dia que passa me surpreende mais, por inúmeros fatores, e hoje vou falar de uma das coisas que me irritam por demais em ver pela internet e no dia-a-dia: o preconceito sobre @s torcedores de futebol. Como sou do estado de São Paulo vou dar enfoque aos times paulistas apesar dos argumentos aqui expostos poderem ser utilizados com outras torcidas. 

Os preconceitos que citarei aqui envolvem os torcedores no sentido que são atribuídas  certas características as torcidas de  determinados times, por exemplo, todo corinthiano é bandido e todo são-paulino é gay. E são exatamente esses dois clubes que vou dar enfoque. 



São Paulo - os bambis

....e torcedores homofóbicos 


Quando não se tem mais o que dizer, ou o São Paulo ganhou um jogo ou um título, as pessoas já partem pra baixaria de chamar todo mundo de bambi "só tem frutinha no Morumbi". E vejam bem, já vi sociólogo usando essa argumentação para atacar a torcida tricolor que teoricamente tem que se ofender muito por isso. 

PRIMEIRO: A HOMOSSEXUALIDADE NÃO É UMA OFENSA.

Parem de usar a palavra "gay", "viadinho", "bambi" como se fosse o pior xingamento do mundo. E se só tiver gay torcendo para o São Paulo, qual é o problema? Ser homossexual não é um defeito, não é uma doença e não deve ser usado como tal.  E nem se quer é verdade visto que existem gays em toda  e qualquer torcida. 

SEGUNDO: USEM BONS ARGUMENTOS.

Quando a pessoa começa a chamar a outra torcida de palavras baixas a única coisa que me vem a mente é "nossa, o time del@ é tão ruim que há uma  necessidade de xingar os torcedores". Falar que só tem "bambi" torcendo pro são-paulo depois que ele ganha um título só mostra o quanto você é um imbecil preconceitus@ e o quanto está com inveja. 


Infelizmente esse tipo de preconceito se estende a todas as torcidas (só é mais forte em relação ao São Paulo) o que demonstra o quanto o futebol é um esporte onde a massa que o assiste é homofóbica,  sem dizer, machista, racista e classista. 



Corinthians - os marginais




Confesso que em um passado vergonhoso quando eu tinha pouca maturidade já usei esse tipo de argumento, mas eu era uma criança o que justifica um pouco (visto que aprendi essas merdas com os adultos). Agora se você se diz um ser pensante e fala que todo corinthiano é bandido, aí nada justifica o seu pouco conhecimento sobre a sociedade e o seu preconceito sobre as classes sociais. 

PRIMEIRO: VIVEMOS EM UMA SOCIEDADE DESIGUAL E TRATAR ISSO COMO NORMALIDADE MOSTRA O QUANTO SOMOS DESUMANOS.

 Que o sistema capitalista é cheio de mazelas (pobreza, fome, miséria, etc) é um fato, mas daí começarmos a agir como se fosse normal pessoas viverem na miséria e muitas terem que apelar para um vida de crime  é, no mínimo, nojento. E usar do fato do Corinthians ser um time tradicionalmente popular é pior ainda. Venhamos e convenhamos, o Corinthians é o time com uma das melhores histórias de fundação justamente porque popularizou um esporte e isso de maneira alguma pode ser visto como algo ruim. 

SEGUNDO: NÃO É PORQUE AS PESSOAS SÃO DA "PERIFERIA" QUE SÃO UM BANDO DE BANDIDOS.

É fato que grande parte da torcida corinthiana está localizada nas regiões periféricas, e um dos argumentos mais nojentos do futebol tenta articular essa periferia com bandidagem, como se todas as pessoas que moram em zonas mais pobres fossem um bando de bandido, quando na verdade,  o que mais tem nessas regiões são trabalhadores que se esforçam todos os dias para tentar sobreviver nesse sistema desigual.  Usar esse tipo argumentação é cair na falácia da marginalização da periferia e nas entrelinhas  naturalizar o processo de ocupação desigual do espaço. A SEGREGAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL  DEVE SER COMBATIDA E NÃO LEGITIMADA ATRAVÉS DE BRINCADEIRAS/PRECONCEITOS.


E fala sério, tem muito gente rica torcendo pelo Corinthians e isso não é nenhuma vantagem.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

As (des)vantagens de ser ateísta

Esses dias parando para refletir e sistematizar os meus pensamentos fiz uma listinha com as vantagens e as desvantagens de ser ateia. Lembrando que ateia é o feminino de ateu e que também pode ser usado a palavra ateísta (particularmente gosto muito dessa última porque não possui gênero), e que tod@s significam pessoas que não acreditam na existência de deus(es). 





1º - Não ter a quem agradecer

Sabe quando você está muito feliz  e que tudo está se encaminhando e não há palavras para dizer o quanto esse momento é importante e aí você vai e fala "Obrigada meu deus"? Pois é, nós ateístas não temos ninguém para agradecer (além das pessoas que nos amam e a nós mesmos). O que pode ser uma vantagem também, já que você irá aproveitar as pessoas que realmente fazem parte da sua vida. Fora que sempre achei meio egoísta agradecer a deus por algo bom que esteja acontecendo na sua vida considerando a quantidade de coisas ruins que estão acontecendo na vida de outras pessoas. 
No entanto, às vezes olhando a paisagem tenho vontade de agradecer, então agradeço ao mundo, à evolução, ao cosmos, a natureza, etc. 

 2º Não ter a quem recorrer 

Muitas pessoas me questionam "quero ver quando você estiver morrendo se não vai pedir ajuda a deus" ou "ninguém é ateu quando o avião balança" e muitas outras frases que trazem a entonação de que você precisa de alguém além desse mundo para se apoiar. E de fato, quando entramos em uma fase de provação não temos a quem recorrer, não barganhamos com entidades celestiais, e em certos momentos é desesperador, porque  até se pode tentar rezar ou orar (tanto faz), mas verdadeiramente você não acredita naquilo e volta na estaca zero, ou seja, o desespero. Acho que é  esse um dos principais motivos das pessoas acreditarem em deus(es): ter alguém a quem recorrer quando não se tem mais nada. Se isso te faz bem, te dá suporte para não enlouquecer, vai fundo... 
Porém para quem não acredita em deus só resta tenta agir para conseguir as coisas ou esperar quando é algo além do que se pode fazer. A vantagem disso é que você pode se tornar uma pessoa mais proativa e fazer mais  coisas da sua vida acontecer, porque nós fazemos o nosso destino. (In)felizmente você é dono dos seus problemas, resolva-os. 

3º - Depois da morte

Este é outro conforto que a crença proporciona e nós abdicamos. Ninguém quer morrer, porque apesar dos problemas do dia-a-dia viver é bem legal, tem chocolate, balas, sorvete, filmes, bons livros, pessoas que você ama, desafios, etc. etc. E é por gostar tanto de viver que  muitas pessoas se apoiam no além morte, depois daqui vamos para um outro lugar, talvez não no mesmo corpo, mas com a mesma alma e melhor, será um lugar maravilhoso que dá de 10 no nosso planeta de meia idade, Terra. Acredito que é por isso que os cristianismo coloca o suicídio como um dos piores pecados, se depois que eu morrer for para um além-mundo super fodástico, porque raios viver nesse mundo horrível? 
E nós ateus? Ah, para  nós a morte não é um mistério. Você morre, é decomposto  e tudo que te compões vai voltar a natureza do seu ciclo, porque como diria Lavoisier, nada se cria e nada se destrói,  tudo se transforma. Por sorte depois de milhares de anos você pode compor um solo legal, ou quem sabe se tornar um fóssil, mas recentemente seu corpo pode alimentar bactérias ou animais necrófagos. O que importa é que tudo que te compõe vai continuar servido ao mundo e a possibilidade da manutenção da vida, mas não do jeito que sonhamos porque somos seres um tanto quanto egoístas. 
O ponto positivo é que sabendo que só temos uma vida, que os nossos problemas nós mesmos é que temos que resolver, a gente luta e vivemos da melhor forma possível o hoje e o agora. 

4º - A dificuldade de achar pessoas que pensem como você

Sei que hoje através da internet podemos encontrar qualquer grupo que quisermos, deve ter um página de comedores de meleca no facebook (vai saber) e com certeza tem muito ateu na internet e um número de pessoas no seu cotidiano, mas a maioria no nosso país é cristã e você tem que aprender a conviver com isso. Tem que entender que você pode usar bons argumentos em um debate sobre fé, porém quase sempre  vai perder (não digo o mesmo em um debate sobre religião). Porque a fé não é algo palpável, não é concreto, ela simplesmente existe nas pessoas e você não vai muda-las. 
Depois de muito tempo aprendi que é bom que essas pessoas continuem com fé, ficam mais mais forte e muitas vezes mais otimistas. O que seria da minha vó que passou a vida toda indo à igreja se eu a convencesse que deus não existe? Que sentido teria a vida dela? Por isso toda vez que ela me dá um "fica com deus" eu respondo "amém", afinal não me faz mal e eu sei que é um ato que significa: que tudo de certo no seu caminho, que nenhum mal te aconteça, eu te amo e te desejo o melhor. Tudo isso em uma pequena frase e não vejo sentido algum em atacar. Claro que existem pessoas que sabendo da sua condição de ateísta toda vez que vão te dar tchau usam a expressão "vai com deus" e, meu, ignora. A pessoa só está te atacando porque (é um babaca) não consegue conviver com a diferença. 
Para quem quer se sentir um pouco mais em grupo é só procurar por associações ou coletivos. 

5º- A argumentação

Ninguém nasce com religião, mas a maioria da população nasce no seio de uma família com crença. E não é um processo fácil o de se afirmar sem religião porque o tempo todo você cresceu ouvindo que deus era acima de tudo, então quando as dúvidas começam a bater a sua porta o que você faz? Você estuda. 
Sim, é isso o que todo mundo faz, começa a pesquisar sobre muitas coisas e corre atrás de respostas. O que é ótimo porque é dessa batalha interna que irão surgir os argumentos. O ruim é que ninguém com religião passou por esse processo de ter que aprender a argumentar, enquanto tivemos que ler diversos livros, artigos, participar de fóruns e etc. eles só leram a bíblia (que você também leu) e acreditam que é esse livro a fonte de todo conhecimento e sabedoria. 
Não estou dizendo que todos são assim, mas a grande maioria assim o é. Tem muita gente com conhecimento e  fé,  e com essas pessoas é bem legal conversar. Mas quando alguém começa a gritar "porque está escrito na bíblia", cai fora. 
Fazendo uma crítica ao nosso lado, tente não usar argumentações baratas (todo ateu é inteligente), e não seja arrogante (o que às vezes é bem difícil). 

6º - O preconceito 

Infelizmente há uma tendência na sociedade em tratar pessoas que pensam de forma diferente com agressividade, é  o tal do preconceito, que vai muito além do bater ou matar alguém, envolvendo também,  o desprezo, o desrespeito, o desmérito, etc. 
Quando se conta para uma pessoa que você é ateísta há uma grande probabilidade de que ela te trata mal porque ouviu dizer que ateus são pessoas más que matam e comem criancinhas, vice-versa.  Porque se uma pessoa não tem deus pode cometer todos os pecados sem ter medo. O que muita gente não entende é que acreditamos nas leis e nos direitos humanos, e sim, fazemos o bem ao próximo, não com uma promessa de um céu futurístico,  mas com a esperança de que esse mundo, essa sociedade, seja um pouco melhor. 
Com o tempo e a convivência tudo se acerta (na maior parte dos casos) e a galera vai percebendo que você é bem legal (ou não).  
Existem casos extremos de preconceito e procurar por  entidades que o apõem pode ajudar como, por exemplo, a ATEIA. 
O inverso disso é quando os ateus começam a ter preconceito com pessoas com religião, o que também é problemático. 

7º As tentativas de conversão 

Acho que é essa a parte mais chata, ter que ficar aguentando as pessoas falando no quanto deus é bom e que não podemos não acreditar nele porque ele está em tudo, blá blá blá. Eu tenho tentado ignorar (apesar de não conseguir me controlar algumas vezes), e de verdade tenho evitado debates profundos sobre religião. 
O que temos que entender é que também não convertemos ninguém. Tudo é um processo, com a gente foi assim, ninguém me "converteu" ao ateísmo, eu simplesmente fui montando uma série de dúvidas na minha cabeça e fui atrás de resposta. Quando cresci um pouco mais me deparei com um mundo horrível assolado com guerras, fome, corrupção e não vi deus em nada disso. Esse foi o meu processo, deixe com que as pessoas passem pelo delas, e sozinhas. O que se pode fazer é conversar, expor seus argumentos, ouvir o delas e deixar com que cada um processe a informação do seu jeito. 
O principal disso tudo é tolerância, o aprender a viver com o outro. E isso é um desafio independente do que você (não) crê. 




Enfim, tem mais coisas para escrever, mas acredito que essas sejam as principais. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Geografia de Jogos Vorazes: as relações de poder.


A Geografia de Jogos Vorazes: as relações de poder. 





     Quando falamos de Jogos Vorazes logo nos vem à mente outros livros da categoria infanto-juvenil, tais como Harry Potter, Percy Jackson, Eragon, etc. e consequentemente todas as problemáticas de uma indústria cultural que muito influencia os jovens e contribui para um estado de alienação.
      Esse tipo de material é mais acessível e é o que geralmente a juventude gosta. E não é por qualquer coisa, realmente os livros são muito legais! Recheados de boas doses de aventura, suspense, romance, histórias de amizade e de uma realidade que não nos pertence (já que muitas vezes queremos fugir da que nos rodeia). Porém, muitas vezes esse tipo de literatura é discriminado por professores ou pessoas que lidam com educação. Isso acaba afastando o aluno da leitura em si (já que são obrigados a ler coisas mais eruditas que geralmente caem no vestibular). Não estou dizendo que esse tipo de leitura não seja bom, estou falando que NADA deve ser desprezado por um educador. Tudo é passível de observações, análises, e principalmente de críticas. E por que não usar a realidade e o mundo que pertence a eles?
    Um pouco diferente de outras sagas juvenis, Jogos Vorazes é uma distopia (sendo dis- ruim e topia lugar, ou seja, lugar ruim), não é uma fantasia bonita, pelo contrário, retrata um local que após ser destruído por catástrofes naturais vive períodos de guerras e sofre com a formação de um estado autoritário. Uma das críticas feitas ao livro é  que ele  retrata somente a América do Norte (pois esse novo “país”  cujo nome é Panem, se localizaria em uma área abrangendo Canadá, EUA, e México, no entanto, penso que a autora somente omitiu  fatos e inclusive acho que se ela quisesse poderia retomar a história justamente desse ponto. E o resto do mundo?
     Como o objetivo desta postagem é falar das relações de poder presentes no livro a partir de uma perspectiva da Geografia Política é importante frisar esse detalhe, pois aqui não temos nem mais o modelo de Estado-Nação de Westfália, nem um mundo articulado em redes. Não há globalização nos termos que conhecemos hoje. Apesar de tudo isso ter deixado suas marcas. No entanto, Panem é um país com uma área grande, mas isolada.
     Usarei como base teórica um texto da geógrafa Iná de Castro (referências seguem no final) que trata sobre as relações de poder, algo que é inegável no livro da Suzanne Collins.
     Primeira coisa, poder envolve relações assimétricas, pois se fosse uma relação igualitária não haveria poder. Segundo, sempre onde há poder, há resistências. Assim, já podemos observar um fator importante, em uma análise simplória temos  de um lado  a Capital e de outro os distritos.
       Mas por que os Distritos aceitam essa relação de poder? Por que tentaram uma guerra contra a capital há mais de 74 anos (seguindo a data do livro I) e perderam (inclusive um dos principais motivos da derrota foi a impossibilidade de passar pela cordilheira -Rock Mountains- um fator geográfico determinante). No final da guerra iniciada pelo Distrito 13, este é exterminado e o poder é mais fortemente centralizado na Capital que irá estipular uma série de ações para se manter no comando, dentre eles, os Jogos Vorazes.  
     Jogos Vorazes é o nome do evento que a Capital criou para deixar claro quem manda e basicamente é um reality show onde um menino e uma menina com idade entre 12 e 18 anos de cada distrito é sorteado como tributo para competir  em uma arena cujo objetivo é matar um ao outro até que sobre somente um. Isso tudo é amplamente divulgado e tem  incentivos tanto públicos quanto privados (dentro da arena os tributos podem receber ajuda que é comprada através de patrocinadores, sendo isso uma importante forma de sobreviver).
Além da atuação na arena, uma das formas de conseguir patrocínio é durante o período de preparo para os Jogos, ocorrendo entrevistas e testes que avaliam as habilidades de cada tributo e atribuindo notas. Quanto maior a sua nota, maior a chance de ter patrocínio.
      Apesar das pessoas sofrerem com a perda de suas crianças uma coisa é fato: há uma vontade comum entre toda a população de Panem que permite que ocorram os Jogos Vorazes. Se não houve esse fundamento, esse limite socialmente e temporalmente aceito, não existiria os jogos. Depois veremos que essa relação é fraca, pois permitiu a possibilidade de escolhas trágicas, que segundo Castro ocorre quando o individuo prefere a morte para escapar da submissão ou quando a sociedade faz uma revolução. No caso de Jogos Vorazes temos os dois tipos.
      Afinal, por mais que a sociedade como um todo aceitasse no momento do primeiro livro a existência do reality show, a maioria dos tributos estava ali por imposição. Não é a toa que a Katniss Everdeen e o Peeta Mellark (protagonistas) preferem a morte, e menos a toa ainda que a Capital não deixa isso acontecer. Quando Claudius Templesmith anuncia que há dois vencedores está falando que a Capital não aceitará demonstrações de recusa ao seu poder.
     Castro a partir de análises de outros autores coloca que há 3 tipos de poder: o Poder Despótico (caracterizado pelo medo e como tem como principal fonte de coerção a força e a violência é um poder fraco); o Poder da Autoridade (exercido mediante concessão, sendo uma forma legítima, se fazendo obedecer através de leis, tradições e carisma, o que faz com que haja reconhecimento e concordância dos que se submetem e é mais forte porque teoricamente visa o bem comum); e o Poder Politico (engloba as duas outras formas de poder, fazendo uso de acordo com seus objetivos, é um poder moral e se materializa no espaço).
    Nitidamente a Capital utiliza o Poder Politico e as transformações espaciais são bem claras. Temos uma relação centro-periferia (capital-distritos) e uma divisão do trabalho pensada estrategicamente (cada um dos 12 distritos é responsável pela produção de apenas um tipo de mercadoria).
     No outro lado da moeda há o Distrito 13 que ao contrário do que falava a Capital não foi destruído, mas sim ao final da guerra deixado em “paz” desde que não manifestasse existência. Esse distrito era responsável pela fabricação de energia nuclear por isso o medo de se manter uma guerra. Fato curioso porque mostra como as guerras têm importância para delimitação de fronteiras.
    A característica mais marcante do Distrito 13 é o Estado duramente centralizado, lembrando bastante uma sociedade socialista. O controle é muito rígido pois os recursos naturais para manutenção da população é escassa, a burocracia da administração pública é gritante (além dos horários para absolutamente TUDO, qualquer decisão tem que passar por conselho) e a padronização é latente (todas as roupas são iguais, todos comem a mesma comida, etc.). Todos esses atributos levam a caracterizar esse distrito como um Estado Unitário, que é um dos dois modelos clássicos de organização do Estado, mas este tem um alto grau de homogeneidade.
      Quando cheguei nessa parte do terceiro livro (A Esperança) imaginei que as coisas iriam melhorar, porém aqui também há relações de poder. A presidente Alma Coin é na verdade uma ditadora tanto quanto o presidente da Capital, Snow. Por isso admirei a atitude da    Katniss que ao invés de matar o Snow durante a cerimônia de vitória se vira e mata a Coin.
   Enfim, Jogos Vorazes é uma trilogia brilhante em que podemos realizar diversas relações com as diferentes áreas da Geografia. Nessa postagem queria reconhecer as formas de poder que aparecem no livro, em uma próxima quero falar mais sobre a Divisão do Trabalho e do Relevo da América do Norte. 


Referência:

CASTRO, Iná Elias de. O poder e o poder político como problemas. In: CASTRO, Iná de . Geografia e Politica: território, escalas de ação, e instituição. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2005. Pg. 95- 137. 
COLLINS, Suzanne. A Esperança. Rio de Janeiro, Rocco, 2011. 
_________________. Em Chamas. Rio de Janeiro, Rocco, 2011.
_________________. Jogos Vorazes. Rio de Janeiro, Rocco, 2010.





quinta-feira, 26 de abril de 2012

VETA DILMA

O Novo Código Florestal 




Nesta quarta-feira (25/04/2012) em mais uma vergonha realizada pelos nossos queridos políticos  foi aprovado pela Câmara dos Deputados a reforma no Código Florestal que agora vai ser aprovado ou não pela presidenta Dilma. O projeto que já havia passado pelo Senado recebeu 274 votos a favor e 174 votos contra. 

Muitos devem se perguntar por que se preocupar com o código florestal já que mora na cidade. E a resposta é que não só uma questão que vai afetar o campo, mas todo o país. Já pararam pra se perguntar de onde vêm a comida que nós comemos? Ela vem do campo,  do pequeno produtor. Se eles não plantam, nós não comemos! Além de toda a questão ambiental como o ciclo da água, equilíbrio ecológico etc.

O novo código que foi elaborado por Aldo Rebelo (PCdoB) e por Kátia Abreu (DEM) é apoiado pelo que denominamos "bancada ruralista" que recebe esse nome porque são os grandes latifundiários do Brasil. Esses não tem nada a ver com a questão da soberania alimentar, pelo contrário, são os grandes produtores de monocultura (que são destinado a exportação) e criadores de gado, ou seja, o pessoal do famoso agronegócio. 

É curioso notar que mesmo em ano eleitoral os nossos políticos tem a coragem de aprovar um código desses, e pior, a nossa "direita" apoiada pela "esquerda". A verdade é que esse Estado continua favorecendo quem tem dinheiro enquanto a população fica a Deus dará.


É importante pensar que mesmo que o projeto seja vetado pela presidenta ainda temos grandes desafios nesse setor, por exemplo, garantir o cumprimento das leis; parar de favorecer o agronegócio em detrimento do pequeno produtor; impor leis mais regidas ao agrotóxico ( o Brasil é o maior consumidor de agrotóxico do mundo) e etc. 

Por isso e por muito mais a gente pede VETA DILMA!




Para saber mais: