Já
têm umas duas semanas que estou de volta ao Brasil e já tem um tempo que queria
escrever palavras de despedida do intercambio. Porém, é difícil definir os cinco
meses que passei por lá. Experiências boas e ruins.
Uma
parte de mim vai sentir falta da cultura daquele país, das pessoas, do tererê (apesar
de ter comprado o meu) e até mesmo de comer empanada com pão.
Acho
que a temática em torno do Paraguai vai entrar para o meu grupo de combate ao
senso-comum. No Brasil temos a triste mania de chamar de paraguaio tudo que
estiver relacionado à falsificação e a má qualidade, o que é muito triste de se
fazer com o gentílico de um país. Assim, como não gostamos da associação de brasileiros
com carnaval e bunda. Além disso, o Paraguai é muito maior do que Ciudad del
Este (cidade fronteiriça com Foz do Iguaçu que é o polo comercial do país) e
que só existe por conta dos brasileiros. Sim, somos nós o mercado consumidor
massivo. Se não fosse pelos brasileiros os tais “produtos paraguaios” não
teriam permanecido por tanto tempo. E gente, fala sério, os produtos nem se
quer são feitos no Paraguai, são todos chineses, o que é curioso que a palavra “chinês”
ainda não tenha a força do significado de falsificação
que “paraguaio” tem.
Inclusive,
é válido lembrar que o Brasil é um dos maiores problemas dos paraguaios, sendo
o caso maior a questão da propriedade privada da terra. O latifúndio brasileiro
é uma praga tão grande que ultrapassa as fronteiras. Graças à problemática questão
da Reforma Agrária (que se faz urgente nos dois países), o Paraguai está
sofrendo nos últimos anos a inversão campo-cidade, que se manifesta nitidamente
pelas mudanças na paisagem principalmente na capital, Assunção, com o aumento
das favelas e do trabalho informal – você pode fazer as compras do mês ao
embarcar em um ônibus no centro.
Ao
recordar do Paraguai que lembremos do país que conseguiu preservar sua cultura,
que fala não só a língua do colonizador, mas também a nativa. Ao lembrar do
Paraguai que nos venha a mente a palavra “guarani”, dos fortes índios, do
aquífero, que recordemos do enorme conhecimento popular sobre ervas medicinais,
do tererê, do mate, do cocido e da chipa. E se for para falar de algo econômico
que pensemos na moeda nacional paraguaia que é uma das mais estáveis da
América.









